O artesão do corpo
O fisioterapeuta é um artista! Um artista do corpo! Com o seu ofício manual, exercido, muitas vezes, sob a aparente forma de prestidigitação, ilude a realidade, alterando, beneficamente, características físicas anormais, advindas de achaques e moléstias diversas.
Como em uma escultura em madeira, entalhada a golpes precisos, o fisioterapeuta plasma a matéria físico-humana, modelando-a, até apresentar-se com o feitio pretendido. Tal forma final, ornamentada por detalhes individuais, chama-se funcionalidade.
Novamente, após dificuldades e fraquezas, receber, burilado, o mármore corporal operante, perfeitamente integrado no espaço, através de suas três dimensões estruturais, é digno de adornos formados por fulgurantes expressões de júbilo, por parte de quem resgata.
Mãos para modelar; bolas para arquear; barras para angular; superfícies para elevar; espelhos para alinhar; desequilíbrios para equilibrar... são as ferramentas do artesão do corpo, sempre acompanhadas do sulco verbal.
O corpo lesado é uma peça partida; rara, única... No grande anfiteatro do movimento humano, coberto pela lona do gênio-reabilitador, os fragmentos desmazelados tornam-se, outra vez, uma unidade holística. Ora, sem nenhuma aparência de fusão; ora, exibindo os selos da recomposição. Porém, quase sempre, com restituída função.
O conjunto das obras do artista do corpo, está exposto na galeria dos desempenhos vitais, representando móbiles, que mudam de posição com o soprar do vento, tal a sua leveza. São filmes pessoais, com seqüências de imagens conexas, formando animações ininterruptas, da manhã, quando o ser revoga o sono reparador, à noite, quando retira-se da vigília.
Os quadros corporais inábeis, recobertos pelas tintas do mágico manuseio, ofuscam-se, concedendo lugar à liberdade que movimenta. Compor sonetos em versos que deslocam-se, logrando estrofes deficientes, fazem parte da evolução reconstrutora, a que se joga o harmonioso artista.
Às vezes, excêntrico em seu saber; outras, sensato em seus métodos; porém, sempre consagrado ao eterno e itinerante espetáculo do movimento humano... É ele, o fisioterapeuta, magnífico e incomum com as mãos, o grande artesão do corpo... que, sem cessar, segue trabalhando, incansável, na bela-arte da reabilitação.
Prof. Adriano Daudt, Crefito5 19.368F.
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